segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Medos tolos e coragens absurdas

Desde que me deparei com um abismo de dúvidas existenciais somadas a uma imensa vontade de largar vícios comportamentais resolvi iniciar a longa e interminável caminhada pelo universo da terapia. Quanto mais a gente mexe, mais descobre que tem muito mais a corrigir! Uma loucura sem fim... quase que literalmente!
Ficar bem resolvida com o passado é a chave mágica que abre a porta para as oportunidades do futuro e acredite... fica mais fácil focar no presente com uma simplicidade que julgávamos impossível aprender.. aaaaahh, é possível e necessário: se eu consigo, qualquer um também pode conseguir!
DESCOMPLICAR tem sido a minha palavra de ordem. Descomplico que tudo tenha que ser do meu jeito. Descomplico que todos devam pensar de forma simples como eu duramente tive que aprender a fazer. Descomplico que tudo tenha que ser prático e no meu tempo. Simples assim e sem drama! NÃO, a vida não tem manual de instruções e muito menos as pessoas vem com bula... uma atitude, nem sempre vai te dar ferramentas suficientes para um julgamento definitivo aplicável a qualquer um. Tenho uma fé enorme nas pessoas, acredito também que tenho um bom 'feeling' para ter uma boa avaliação com os 'olhos do coração', por isso gosto de dar crédito a quem gosto e quando bato o olho pensando "hum, pessoa de cara boa, boa alma". E antes que pensem, não acho que eu seja ingênua demais ou cheia de tolices românticas... quer dizer... ok... eu sou um pouco, mas gosto de ser assim, me sinto bem, com mais fé no ser humano e menos contaminada com as maldades dos tempos modernos!
Senso crítico em excesso e pouca maleabilidade denuncia falta de olhar a si próprio... melhor ignora-los! Tem gente rápida e tem gente que demora... fazer o que?! Já fui devagar demais, hoje tenho pressa e tento aprender a chegar no tempo certo.  Este texto de Arnaldo Jabor vem correndo pelas redes sociais e me identifiquei muito. O que realmente me agrada na vida e o que ainda me incomoda no próximo aparece muito objetivamente no texto.
Se o beijo bate... eu me jogo! E o ser humano NÃO é absoluto... cheio de dúvidas e medos. Meu medo de subir na balança é muito maior do que de enfrentar uma barata!
"Se a pessoa está com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não." e por aí vai...
Entendeu?? Então não julgue os medos alheios!!


Relacionamentos  (Arnaldo Jabor)
Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.

Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos.... que pena... acabou...
- é... não deu certo...

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.

Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível. Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona… Acho que o beijo é importante… E se o beijo bate… Se joga… Se não bate… Mais um Martini, por favor… E vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa está com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer… A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar. Enfim… Quem disse que ser adulto é fácil?

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Quando chega a hora de dizer "passou".

Sou leitora das crônicas de Fabrício Carpinejar e considero que sua leitura tem uma alma tão feminina quanto muitas moçoilas por aí e que tem o dom de poetizar os sentimetos do que uma mulher vive, só que ele é homem! Believe it or not!!
Algumas frases soam como uma sentença das experiências pessoais, daí percebo a insignificância da minha história e que minhas dores não são únicas nem piores do que o resto da humanidade.  Através de uma crônica dele caiu a inspiração: "Um dia você se verá feliz por ter estado triste ... Um dia entenderá que o destino realmente faz sentido, e que a falta de sentido ainda era caminho. Um dia você perceberá a clara diferença entre orgulho e confiança, entre obsessão e paixão, entre fantasia e sonho."
Pense e reflita a respeito...
Lembrei de minha mãe, minhas amigas, minha terapeuta, e acho que até minha cachorra deve ter me dito isso entre um olhar e uma lambida enquanto deitava aos meus pés... "vai passar, tudo passa". No auge da dor e do sofrimento busquei todas as explicações e justificativas. Impossível enxergar, impossível seguir qualquer tipo de conselho, impossível qualquer esforço de acelerar o processo de dor. Muitas vezes me perguntando e rezando antes de dormir "quando que essa tempestade vai passar? por que eu?". Muita revolta quando ouvia que um dia iria rir do passado e até agradecer pelas tempestades e furacões.
Passou... um dia abri a janela e vi um amanhecer ensolarado com cheiro da chuva que deu trégua, grama molhada e orvalho. Acredite... os pulmões se enchem mais de ar, os olhos observam detalhes nunca percebidos, a coluna alivia-se do peso liberado. Paz e esperança é tudo que se sente.
Percorri um longo caminho para viver as palavras de Carpinejar e não teria absorvido os sentimentos impressos nas palavras dele se não tivesse trilhado essa experiência... muito mais longa do que eu desejava que fosse, mas felizmente eu consegui respeitar o meu tempo, meu único aliado simultaneamente sendo amigo da cura e inimigo da ansiedade.
Hoje sou feliz por ter estado triste, e é muito clara a diferença entre orgulho e confiança, a obsessão virou item do passado e o perdão virou palavra de ordem. Por tantas tempestades, meus pulmões tem fôlego para inspirar o presente. A visão está aguçada a ponto de perceber a perspicácia do destino e este tempo todo eu é que o subestimei... e muito! Sr. Destino e suas brincadeirinhas que nos surpreendem com belíssimas possibilidades bem ali do teu lado, um pouquinho mais na direita ou na esquerda, mas bem ao teu alcance.
Quando te disserem que vai passar pode ter chilique, mas tenha fé que realmente vai passar... Passa para todos. E sempre vai passar, mesmo quando acontecer de novo e de novo...
O tempo é a única variável, a superação é o denominador comum.

 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Insanidade saudável

Sempre fui a amiga certinha: aquela menina educada que toda mãe gosta que seja amiga da sua filha. Ouvi e vi muito na minha adolescência frases e semblantes de tranquilidade quando uma amiga relatava à sua mãe que sairia comigo... "se está com a Vanessa, está em boa companhia!". É bom inspirar confiança, diria até que é confortável, mas acho que com o tempo, os caminhos percorridos me forçaram a cometer alguns atos de loucura. Loucuras momentâneas me mantém com os pés no chão e me geram experiências que me encorajam a cometer mais loucuras. Sair da zona de conforto é mais do que necessário para confrontar o que "realmente te faz feliz" (clichê título do blog!). É preciso coragem para eventualmente perder o juizo, ao contrário do que muitos pensam! Insanidade para uma miss certinha como eu requer anos de derrapadas e esfoladas até chegar numa loucura programada para meter a cara e ser feliz. Pensar é bom, mas pensar demais pode gerar a perda do "timing" da ocasião perfeita.
Fui verbalizar o primeiro palavrão depois dos 20 anos e só consegui falar aquele palavrão cabeludo e composto lá pelos 20 e muitos anos, o que causou espanto em quem estava comigo junto com a expressão "você não era assim"! Não é bonito, eu sei... mas as vezes pode ser libertador e terapeutico. Tomar aquele trago fenomenal, roubar um beijo, dar aquela bofetada no cara que te tirou do prumo... nada educado, nada meigo... mas às vezes nos leva a caminhos novos e  descobertas surpreendentes sobre nossa própria capacidade. 
Mas calma lá... Eu ainda continuo sendo a mesma "miss certinha" e politicamente correta, pela minha visão e pela opinião de quem me conhece bem. Aprendi que incorporar alguns atos insanos no cotidiano podem me fortalecer para cometer o verdadeiro Ato Insano: aquele que em algum momento da tua vida vai ser necessário para alavancar algum acontecimento inevitável e absurdamente desejável. Aquela loucura que te faz prender a respiração e subir aquele frio na espinha.
Como boa apreciadora de metáforas, lembro da carta do Louco no tarot... simboliza o homem se jogando num precipício. A loucura de não saber a altura do precipício ou no que vai amortecer sua queda (espinhos ou folhas). O Louco se joga sorrindo, por que independente do que irá encontrar, sua loucura o encorajou a buscar o que há além do precipício. Acho uma carta interessante por que indica novidades inesperadas e a necessidade de pisar em um terreno nunca antes pisado, a busca de novos caminhos sem garantias mas com otimismo, intuição e fé. Como deve ser...!!
A vida apronta com a gente, e muito! Surpreende, e muito! Exige loucura e coragem para usufruir de suas deliciosas armadilhas e precipícios.
Desejo a mim e a todos um pouco de insanidade saudável, um pouco de juizo desajuizado, alguns palavrões por dia e muita coragem nos desafios e nas surpresas que a vida oferece... afinal... quem é mesmo que paga suas contas? Você está com as vacinas em dia? Se a resposta é "Eu", e "SIM", respectivamente, está autorizado a cometer seus atos estilo crazy em prol de sua felicidade e bem estar mental!


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Livre, Leve e Solta.

     E lá se foi 2012. Ano que começou tenso e com dilemas. Na brincadeira ou na seriedade que estaríamos ou não no fim do mundo, de acordo com um "mané" que simplesmente cansou a mão de fazer o calendário dia a dia para dali uns mil e tantos anos.
     Mas os encantos da possibilidade de um fim de mundo pairaram na vibe do ano. Uma vontade louca de não deixar nada para amanhã, uma urgência de resolver pendengas para curtir a vida e ser feliz.
     Não foi proposital, mas notei isso nas minhas resoluções e na vida de muitas pessoas próximas. Cada um tomando uma medida providencial que disparou uma série de acontecimentos muito modificadores rumo a libertação. Mas não é liberdade física já que essa já conquistamos há muito tempo, é muito mais fundo... é liberdade emocional e mais fundo ainda... liberdade de si próprio! Muitos me disseram que muita coisa aconteceu depois que cortei minhas longas madeixas. E foi verdade, mas o que não sabiam é que o corte de cabelo não gerou a mudança... e nem teria como! Mas foi o primeiro passo de muitos outros que seguiram, mudança interna que é tão profunda que reflete no externo! 
    Toda boa e definitiva mudança que se preze gera transtornos pelo desconforto da saída dos limites da zona de conforto. Falo por mim e com a certeza de que muitas pessoas próximas perceberam a mesmíssima transformação por motivos diferentes, porém todos convergindo numa grande metamorfose.
    Corte de amarras gera uma libertação que não tem preço. Inicialmente causa estranheza como cachorro quando solta a coleira e nem percebe que está livre, e quando percebe não sabe para onde ir. Demorei para perceber que a guia estava solta, depois demorei mais um tanto para escolher para onde ir. Hoje sinto-me livre de conceitos rígidos, além de limites concretos e com a confiança que a liberdade é tão preciosa que traz presentes nunca antes imagináveis. Dobrar a esquina sem saber o que virá é uma dádiva que a liberdade nos oferece, contemplar e agradecer o que o "dobrar a esquina" te traz chama-se leveza para conduzir os acontecimentos da vida.
     Livres e leves para dar boas vindas a novos tempos, solta após longo processo de metamorfose... Na metamorfose só se sabe que ocorrerá a transformação, há uma mágica entrega para o que tem que vir, custe o que custar,  receber e usufruir o novo molde de bom grado.
     Hoje tenho absoluta certeza que nada aconteceu como planejei. ABSOLUTAMENTE NADA! Mas quer saber? Mesmo assim tem sido uma surpresa, as vezes mais ou menos agradável, mas com abóboras se ajeitando com o andar da carroça. Muitas coisas espetaculares aconteceram e sei que a maioria veio após parar de esperar ou escolher o que ver no "dobrar de esquina".
É isso aí! Vindo o armagedon ou não,  como dizia o super viajandão Raul Seixas... o melhor é "ser uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Derrapagens

     Não consigo me cansar dessas interações nas redes sociais. Podem reclamar e criticar mas eu acho o máximo manter contato com pessoas que possivelmente eu jamais conseguiria manter até o dia em que não reconheceria ao cruzar na rua. Eu que fui muito quietinha pela maioria dos anos desta vida  quando estava em grupos com mais de 6 pessoas, hoje percebo nesta ferramenta uma excelente janela de interação e socialização.
     Outro dia vi uma postagem de uma colega de faculdade que bateu em cheio com a mesma experiência que eu estava passando. Ela descreveu em uma precisa palavra o que nós (mulheres) eventualmente vivenciamos: "DERRAPEI".  Eu adoro metáforas, acho um modo incrível de visualisar sentimentos e derrapagem é exatamente o que nós mulheres solteiras (disponíveis, na prateleira, available, na batalha, na pista, em busca de..., etc) eventualmente passamos até chegar na meta atingida.
    E o que seria uma derrapagem,  afinal de contas? Em relação aos automotivos significa a instabilidade na pista trafegada podendo ou não gerar um acidente. Depende do estados dos pneus e da destreza do motorista. Quem nunca derrapou feio nos caminhos do coração, com ou sem capotagens? hein, hein, hein???
    Apesar de estar "na pista" há algum tempo (odeio esse termo mas casou com o assunto), faz muito pouco que comecei a tirar proveito da condição! Pela minha índole e criação (si... las culpas de las madres!) fiquei acuada com medo de exposição e mágoas. Ultimamente tenho permitido algumas derrapadas mas com muito medo de capotar novamente, por isso dirijo com cautela ou pelo menos tento.
     Pois é, mulherada... cada bofe constitui uma ou mais pistas: pista escorregadia (tem de montão), pista instável (vixi, nem se fala!), pista estável mas tediosa e previsível (ninguém merece!), pista desconhecida (M E D O), pista esburacada (de tráfego intenso, entende?), pista estreita (sem comentários...), pista grande (também não vou comentar!), pista em aclive constante (gasta muita gasolina), pista em declive constante (sempre com o freio acionado), e por aí vai... Não existe pista boa ou ruim, existe o momento e o acontecimento. Se casar de estarmos sempre com o pneu certo para encarar a pista certa, maravilha! Mas as vezes a gente se destrai e pode derrapar, por desconhecimento ou por excesso de confiança.
Assim como no trânsito, nos assuntos "cardíacos" há de se ter diariamente a mesma cautela, pois o excesso de confiança certamente leva aos piores enganos e acidentes. Derrapagens fatais e capotagens que desalinham a estrutura forever.
 
Por isso, meninas... se dirigir não beba!
Canja de galinha, prudência e BOA VIAGEM!!

sábado, 6 de outubro de 2012

Pacote completo

     Enfim, voltando a respirar e olhar o céu azul! SAÍ DA CLAUSURA... Foram meses completamente imersa na densa malha de um final de doutorado, mas tudo termina um dia e mais uma etapa se concluiu. Título na mão, ciclo finalizado!
A partir do dia 27 de setembro de 2012 me tornei doutora phD em Ciências... mas não foi só um título, foi uma bagagem que soltei na vida pessoal. Só me faz perceber que a vida é um entremeio com muitos emaranhados. Dizer não ou dizer sim para um fato isolado reflete em uma forte reação em cadeia... efeito dominó. Concluir um ciclo profissional levou a conclusão de mil coisinhas ou coisONAs  que estavam penduradas no cabide... ciclos embutidos e interligados como uma corrente! A gente não escolhe, simplesmente ACONTECE! Como abrir uma janela: não escolhemos o que queremos enxergar ou não, simplesmente está lá. Hoje sou doutora e uma grande questionadora de oportunidades, mas veja bem... antes eu era daquelas que colocava a mão no queixo e perguntava "SERÁ?", hoje o enfoque e a metodologia mudaram e isso tem feito toda a diferença, hoje prefiro perguntar "POR QUE NÃO?".
NADA vem com garantia nessa vida e tenho segurança em afirmar que NADICA de NADA vem com garantia... nem aquela TV LCD chiquéeerrima tem, pois se acontecer pane e você não garantir que não fez nada de errado com ela, a fábrica retira sua garantia! IMAGINA em fatos da nossa vidinha!
Absolutamente tudo que eu achava ser garantido já se foram pelo ralo: conceitos, preconceitos, crenças, sonhos, desejos... Mas tô na boa! Mordo a língua e admito. Só tenho que perder o cacuete de dizer "Eu jamais faria ou iria ...", pois é justamente ali que quebro a cara na próxima esquina.
Só sei que tudo acaba bem, do jeito que tem que ser... só deixar a vida sorrir pra você e estar atenta aos "sinais" ... não no sentido holístico, mas em relação a prestar atenção no seu coração.
    Nos últimos meses levei dois tombões fenomenais (não é metáfora, foram reais) que me custaram um joelho ralado daqueles de pirralha que cai no areião, quando estava quase cicatrizando caí no mesmo joelho que imediatamente levantou outro ´tampão´... aaarrrghhh! Dói muito e não pude evitar o tombo, mas foi O SINAL! Sinal que posso caminhar e caminhar traz o risco de cair, mas nem por isso vou deixar de caminhar, certo?    
     Ah, sim... caí por que estava num saltinho ´básico´ de 10cm, não sei se levaria o mesmo tombo se estivesse de sapatilhas, mas eu gosto dos meus saltões e não abro mão deles. O joelho está cicatrizado e eu sigo caminhando, usando salto alto.
     A vida oferece riscos, desafios e novos percursos, SEM NENHUMA GARANTIA DE SUCESSO. Nem as surpresas mais sólidas irão te garantir prosperidade eterna... a gente é que põe essas caraminholas matemáticas na cabeça. Então, baby... BE HAPPY, pergunte-se mais "por que não?",  e quando vier aquele fantasminha te perguntando "mas e se você se machucar?" responda firmemente "eu sei que vai cicatrizar!!"... apele para os santos, reza braba, costura na boca do sapo... mas não deixe de lutar, de arriscar.
     A propósito, é um post autobiográfico SIM! Este é um momento de muita alegria, incógnitas e felicidade. Estou feliz, mas ansiosa, feliz, mas sem garantias, feliz, mas metendo a cara a tapa, feliz, mas rezando para não ´ralar o joelho´, feliz e VIVA... vivinha da silva! Percorrendo novos caminhos em novos mapas, sem saber onde vai parar, mas sem a menor vontade de retroceder!!  ;)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Limpeza do Copo

Enfim, o primeiro post de 2012! O ano não virou, foi virando desde meados do ano passado e talvez continue virando nos próximos meses.
Desejei menos e andei agradecendo mais.
Agradeci pelas últimas constatações, pelos véus que sairam da frente dos meus olhos. Tudo trouxe novas cores e novos ares. Isso já é motivo de bom tamanho para o agradecimento.
Quando os véus caem, a vida recebe uma nova "demão" de tinta. 
     Surpeendentemente, a caída de véus mostra tudo, até o que você achava que estava em ordem. O pacote é completo!
     Quando os véus caem, é possível olhar todos os ângulos e sentidos: dentro, fora, atrás, lados, frente. No início assusta, depois pensamos "mas como...?", a seguir é hora de estabelecer a escolha da nova cor.
     Decidi que com a queda dos véus, a cor do momento é a cor LIMPA! Não será rosa, não será azul, nem branco ou preto... serão todas as cores desde que sejam LIMPAS!
    Tal qual um copo ou balde sujo. Enquanto não  lava, nem adianta colocar nada ali por que "pega o encardido" do recipiente sujo.
    Lavei meu copo e meu balde para não correr o risco de encardir ou manchar o que possa vir a receber na sequência. Lavar o recipiente é a cura das ilusões e desilusões.
Imagina suas ilusões como um copo manchado de rosa... rosa simboliza você fazendo de conta numa situação exigindo uma decisão e você lá... cheia de ´panos quentes´ para disfraçar a realidade nua e crua. Enquanto não lavar o copo, tudo que vier a seguir estará manchadinho de rosa... pipocado com pinceladas de ´panos quentes e empurradas com barriga'. Lavei meu copo para que a próxima cor seja REAL e sem manchas do passado.
     Imagina o contrário... Uma fase negra e barrenta na sua vida. Se não lavar o copo, o ROSA, o AZUL, o LILÁS ou BRANCO irão ficar impregandos de NEGROS ou  sujos BARRENTOS... deixa de ter a beleza e a luz da cor original.
    Estou calmíssima lavando o meu copo para receber todas as cores necessárias. Designada a recebe-las e se for PRETO, que seja o PRETO verdadeiro... não adianta pintar bolinhas rosas... lavarei o copo para receber um radiante AMARELO ou o estimulante VERMELHO.
     Sentimentos reais com toda clareza e sinceridade que nós merecemos só serão identificados se meu copo estiver como cristal transparente e limpo.
     Tenho me sntido especialmente feliz pelo simples fato de ter me dedicado a escovar e cuidar do meu copo. Cabe a cada um encontrar a forma de limpar seu próprio copo... e por favor, não designe esta limpeza a NINGUÉM: cada um é responsável pelo seu próprio copo. Uma organizada no corpo, mente e um banho de mar ou cachoeira... descubra a sua metodologia.
     Até os meus momentos mais difíceis ficam mais fáceis de serem superados por que não tem sujeira acumulada, percebe!!??
Assim eu sou, assim funciona meu copo e meu coRpo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Onde o amor próprio mora.

Nesse período de quase 60 dias off e fora da área de cobertura estive "colocando ordem no galinheiro". Fiz o que tinha que ser feito doa a quem doer (inclusive a mim mesma). 
Ouvi muitas histórias e reparei que 2011 foi um ano de limpeza geral e pesada, no bom estilo Multilimpadores Alvejantes. Acredite ou não... mas parece que a energia de varrer a sujeira para fora de casa imperou neste ano. Faxina é bom mas é ruim, por mais que gostem... é chato... colocar tudo para cima, aquele caos para depois acomodar tudo no seu devido lugar. Depois que tudo se ajeita vem aquela sensação de conforto e leveza... mas até lá... é pauleira!
Percebi que muitas separações aconteceram neste ano, incrível... mas cada história que se arrastava por tantos anos, e justamente em 2011 chegaram no ponto final. Términos das mais diversas formas: por querer e sem querer. Ouvi relatos de pessoas que passaram por todo o tipo de casamento: longos, curtos, mansos, conturbados... mas o denominador comum unânime foi que independente do amor e do sentimento pelo parceiro, precisavam resgatar o amor próprio. Quando me refiro a casamento... não é necessariamente ligado à relação formal, com pompa, igreja e aliança na mão esquerda. CASAMENTO é todo pacto selado de dedicação ao outro, seja velado ou declarado... e aí vai uma extensa categoria: namorados, esposos, amantes, namoridos, etc, etc, etc. Quem tem sabe e quem somos nós para julgar em que momento virou ou desvirou CASAMENTO.... sejamos democráticos e menos hipócritas para aceitar as inúmeras formas de CASAR-SE. A amante que espera é tão casada quanto a esposa "real". Quem esteve dos dois lados do muro não ousa duvidar do status.
Enfim... há casamentos que perduram e fico imensamente feliz ao ver relações superarem obstáculos e testemunharem a passagem de muitos anos. Mesmo assim, percebo que além de toda receita de bolo que conhecemos para fazer uma relação sólida prosperar (amor, cuidado, amizade, tolerância...) NUNCA deve faltar o AMOR PRÓPRIO, pois este é o fermento do bolo. Sem amor próprio, mesmo com abundância de todos os ingredientes, o bolo embatuma... e aí, amiguinhos... fica intragável mesmo com ingredientes da mais alta qualidade! Ou pior... desce na goela e  mais cedo ou mais tarde embucha!!
É  emocionante ver casais de amigos encontrando curvas nos obstáculos para seguirem suas caminhadas. Recentemente fui numa cerimônia de Bodas de Prata e me emocionei muito, imaginei a passagem do tempo de um casal que se casou muito jovem e superou muita coisa com parceria e amor. Devem ter sido desacreditados por muitos durante vários capítulos de sua riquíssima história, mas perseveraram ... não por teimosia, nem por conveniência. Também nunca colocaram o casamento como algo indissolúvel, mas estavam juntos por que não jogaram no colo do outro a responsabilidade por sua própria felicidade. Hoje vivemos num mundo em que casamentos, amores e paixões são facilmente construídos e desconstruídos, onde dizer "eu te amo" ficou tão fácil, apesar de durar até a página 9 ou 10.
Defendo a instituição casamento, não pela religiosidade, mas por que tô com nojinho desse efeito pipoca da humanidade: não deu, pula para outra, não deu de novo, pula de novo para outra... e vai levando uma bagagem de imaturidade na mochila que não se resolve nunca. Inúmeras relações de um único capítulo erroneamente rotuladas de 'modernas' no equivocado estilo 'bola pra frente'.
Vejo meus pais juntos há mais de 50 anos com suas diferenças e suas implicâncias... e quando começo a questionar se de fato ainda se amam ou virou acomodação, encontro alguém que me ralata terem encontrado-os caminhando juntos numa manhã no calçadão de Ipanema. Bem... é isso aí... simples assim... de fato é vida como ela é, a concretização do amor ao próximo e amor próprio.
Tenho colocado limites de aproximação àqueles que queiram sugar algo que possa comprometer meu amor próprio. Pois é... ele foi devastado e desde o momento que coloquei uma cerca de proteção para me recompor, TODOS que por ventura tenham segundas intenções se afastaram. No início estranhei vários afastamentos que nem tinha percebido que poderiam ser nocivos, mas enfim... a regra é para todos e tenho agradecido por tudo mesmo sem entender muito bem o porquê, AINDA....
Como dizia Clarice Lispector "Tenho meus limites, o primeiro deles é o amor próprio".
Fica o vídeo de uma mulher que tem muito amor próprio: Adele. Deixou sua voz brilhar e imperar num mundo um tanto quanto fútil e sem amor próprio.

sábado, 1 de outubro de 2011

Pretensão Feminina

Pois eu sou defensora número 1 da força e soberania feminina e por isso mesmo e por ser contra radicalismos sinto-me muito à  vontade de indicar o PIOR dos piores defeitos das fêmeas: mulher é um bichinho excessivamente pretensioso.
Tenho convivido e ouvido histórias de vida de mulheres totalmente diferentes em estilos de vida, idade, modelos de educação, etc. Mas em um item todas convergem - e isto me inclui, obviamnete- a incorrigível mania de achar que pode mudar o parceiro! Esse cacuete de achar que certamente com ela vai ser diferente e que vai saber conduzir com mais maestria os erros e fraquezas do parceiro em suas relações anteriores.
POR QUE, MEU DEUS!? Isso é competição intersexual, e aí vai mais um defeito... mulher é competitiva demais quando o assunto é se sentir superior e mais competente que a "ex" ou uma "outra" qualquer.
Tudo bem... eu bem sei que o mercado de homens disponíveis tá em baixa e o investimento em ações "pró-homens-interessantes" anda cada vez mais down nas cotações de todas as moedas no mundo. Mas daí a achar que é mais poderosa pelos motivos que ouço por aí e lançar estratégias espertas para conseguir o que quer como se fosse um plano de guerra, no way.
Tenho visto muitos casamentos e relacionamentos ruirem pelo mesmo motivo. Todas relatam que mesmo apaixonadérrimas acreditavam que o que as incomodavam no parceiro poderia ser modificado ao longo dos anos. Inacreditavelmente, esta mesma pedrinha no sapato que ilusioramente pensou que poderia sair dali se transformou num abismo para a inevitável separação. Sejamos sinceras... isso é petulância e pretensão feminina! Sua mãe não conseguiu modificar sua essência e suas manias, por que você acha que tem esse poder sobre outro ou sobre o parceiro??? hein hein hein???
Vou mais além... toda  mulher sabe que emendar relacionamentos é um tiro no pé. É como escrever por cima de páginas de um livro: histórias sobrepostas da qual fica impossível ler o que está por cima ou por baixo. Então por que tem tanta mulher achando que podem dar conta de uma bronca destas? Só pode ser pretensão!! Petulância ou desespero achar que com você será diferente!! Como querer que um bebê de colo caminhe... não há como. Existem processos quase fisiológicos para o encerramento de capítulos e início de novos. O livro "Perdas Necessárias" de Judith Viorst relata muito bem esta transição.
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Queridas mulheres desbravadoras
Baixem um pouco a bola, pelo bem de vossos corações! Ninguém muda ninguém! As pessoas mudam por vontade própria e não por sua vontade. Nem Deus modifica seus filhos e por isso criou o livre-arbítrio, que raio de idéia a faz pensar que você tem esse poder?? Se o cara é paradão, vai continuar assim... se é mulherengo, mulherengo coninuará. O pacote é fechado, pague o preço ou caia fora.
Homens recém saídos de relacionamentos têm uma forte tendência a se vitimizarem e por isso investimentos deste nível são de alto risco. Se vai entrar, coloque os pés colados no chão e não acredite em tudo que ouve, use um super filtro e mantenha o botão da humildade permanentemente clicado. Você NÃO é mulher-maravilha, a "ex" NÃO devia ser o capeta em pessoa e ele NÃO é o super-homem cheio de caráter que não foi devidamente valorizado. Dispa-se de tanta fantasia, de tanta vaidade... não existem inocentes, culpados e você não é salvadora.
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Depois do sermão, as doces palavras do mestre Quintana que era um sábio despretensioso!

"SEM PRETENSÃO

Não tenho
A pretensão
De que todas
As pessoas que gosto,
Gostem de mim.

Nem que eu faça
A falta que elas fazem.
O importante para mim
É saber que eu,

Em algum momento,
Fui insubstituível...
E que esse momento será inesquecível!
Só quero que meu sentimento
Seja valorizado!

Quero um dia,
Poder dizer às
Pessoas que nada
Foi em vão
Que o amor existe
Que vale à pena se
Doar às amizades
Às pessoas...
Que a vida
É bela sim!
E que eu
Sempre dei o
Melhor de mim.
E que valeu à pena!

Mário Quintana"

domingo, 4 de setembro de 2011

Para não perder inspiração

Nesta louca loucura da vida até a inspiração fugiu de mim. Dona culpa e sra. responsabilidade invadem minha consciência diariamente: não me sentia competente nem para redigir um texto coloquial, uma crônica do cotidiano... imagina com as outras atribuições da vida.
Geralmente, a inspiração vem da permissão de pensamentos penetrarem a mente e a partir daí construir um raciocínio. Mas entramos num ritmo tão frenético que sequer permitimos construir este raciocínio... as idéias entram e saem desalinhadas e fica o desperdício de vida desproporcionalmente corrida passando pela gente impedindo a percepçao da essência pela qual estamos aqui. Veja bem, quando me refiro a inspiração, não é somente a inspiração de escrever um blog, mas de TUDO na vida. Tudo requer inspiração para ser bem vivido, bem semeado e bem colhido.
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Assisti uma formatura e talvez pelos momentos pessoais que vivo, me emocionei de maneira diferente e com um enfoque distinto das outras colações de grau  testemunhadas até hoje. Vi jovens sentindo os mesmos sentimentos que vivi há 12 anos atrás, com a mesma visão romântica e otimista. É um momento mágico e deve ser preservado deste jeito: romântico e otimista.
(Ham, me senti uma senhora de meia idade nesta referência, mas vamos seguindo...!)
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Lágrimas incontroláveis brotavam quando vi a protocolar homenagem dos formandos aos pais e familiares, e ali mais uma mágica aconteceu. Neste momento vi que aquela Vanessa tinha realmente ficado bem para trás. Antes me emocionava como filha homenageando meus pais, hoje eu estava lá emocionada por motivo contrário. Imaginei o dia que minha filha estará lá recebendo seu diploma (que até o momento ela insiste em seguir os meus passos e já dá os primeiros sinais de real vocação... "who knows?"). Me vi sentada na primeira fila como mãe coruja de formando recebendo a homenagem daqueles jovens com respectivos pais, aos que deram suporte para  o primeiro grande passo da vida adulta. Vi essa cena claramente durante a colação de grau e foi um instante de pura emoção.
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Aproveitando o clima, pela primeira vez mostrei para minha filha o video da minha formatura. Claro que ela não teve tanta paciência de ver a cerimônia, mas ficou encantada de me ver ali vestindo beca e canudo na mão,  já começou a sonhar com a vez dela. Revivi e me vi neste dia num discurso sobre avanços tecnológicos e uma "tal globalização" nas vésperas de um novo milênio e muito antes de se pensar em atentado de 11/09. Parece que foi ontem, mas já se passaram 12 anos e muita coisa aconteceu depois disto: casei, tive uma filha, mudei de rumo profissional, separei, sonhei e acordei, sigo caindo e levantando. Um tanto de romantismo e otimismo ficaram lá naquele 16 de Janeiro de 1999, outro tanto foi modificado no decorrer dos anos, mas a inspiração...? Não quero e não vou deixa-la nunca! A inspiração me tira do porão, me faz mostrar um video para minha filha e ensina-la que tudo isso dá muito trabalho, exige muita dedicação mas vale muito a pena.  Como tudo na vida, a conjunção de inspiração e transpiração.
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Por essa e outras, fico atenta para que na síndrome do coelho branco de Alice (muita pressa, sempre atrasada) eu não deixe apagar a brasa da inspiração existente na minha colação de grau. Que mesmo que a vida coloque armadilhas traiçoeiras no caminho, um pequeno sopro de inspiração acende um pouco da magia da juventude numa colação de grau impulsionando o futuro, independente da idade que terei, pois nos formamos em várias habilidades nos caminhos que percorremos.

p.s: A inspiração "coelho branco" é sabiamente citada no blog da Ali, vale a pena conferir! http://www.alinefontanella.com/2011/08/vida-de-coelho-branco.html

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

35040 horas

Domingo pela manhã recebi um sms no meu celular dizendo "Bom dia. A coluna da Martha Medeiros de hoje foi escrita para ti. Bj." Pois bem... fui atrás por que nunca duvidei do poder de Martha Medeiros captar sentimentos e experiências da minha vida! Há alguns meses estava tentando ler o livro "fora de mim", mas não consegui passar das primeiras 20 páginas. Não que o livro não seja excelente, mas é que os sentimentos e o realismo que ela descreve as cenas e a percepção de uma separação foram tão fiéis para não dizer telepáticas sobre o que senti e pensei que foi forte demais para seguir adiante. Talvez em outro momento retome esta leitura.
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A crônica entitulada '127 horas' faz analogia do filme homônimo com a metáfora da necessidade que cada um de nós tem que, em algum momento da vida, amputar um pedaço de nós para dar continuidade na vida: amores paralisantes ficam impreganados no nosso corpo e na nossa existência até se tornarem um pedaço de nós, e vai esmagando este pedaço até que resolvemos amputar a tal parte quando percebemos que, no final das contas, aquele pedaço não nos pertence mais, precisa ser estirpado.
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Tinha razão... mais uma vez Martha Medeiros ficou sabendo da minha luta e resolveu escrever a minha história. :)
Tenho lutado por uma amputação. Já me questionei muito do porquê ter esperado tanto para iniciar a cirurgia de excisão.
Sempre achei que a circulação iria voltar, o sangue correria nas artéria irrigando tecidos e músculos. Foram 35040 horas (talvez um pouco mais) esperando a revitalização, e sinceramente, por vezes eu tive certeza que a irrigação estava preservada, mesmo com alguns tendões e nervos esmagados... nada que muita fisioterapia e dedicação não resolvesse. Durante vários momentos percebi até que uma alavanca deslocava a pedra que esmagava este pedaço de mim, o que por alguns instantes (e repito... APENAS alguns instantes) enchia de sangue arterial rico e oxigenado, por consequência me enchia de esperança que a amputação não seria necessária.
Mas chegou o dia que nada mais poderia ser feito. A pedra rolou no vai e vem, esmagando de vez as últimas estruturas. A amputação foi a única solução e cedi ao procedimento: melhor perder um pedaço de mim do que intoxicar todo o meu corpo.
Se fui amiga ou inimiga do tempo nesta longa espera? Não sei. Prefiro pensar que foi preferível esperar e ter certeza do irremediável fim do que antecipar uma precipitada amputação por medo, covardia, orgulho. Não tive medo de andar por aí com um membro meio defeituoso e com cicatrizes aparentes, afinal a minha persistência e fé seriam a salvação. Hoje sei que só isso não é suficiente.
Fiz tudo sem anestesia, sem alucinógenos... sem fugas. No momento de recuperação, tenho passado pela "síndrome do membro fantasma": às vezes acordo com a certeza que aquele pedaço ainda está em mim, ou que ainda tenho que cuidar do membro enfermo - quase um ato reflexo, muitas noites sonhadas que a parte estava lá bem saudável em mim, às vezes até acreditei no reimplante. Mas tenho consciência que minha vida seguirá mais leve depois da amputação e me adaptarei sem este pedaço. Aos poucos a síndrome membro fantasma vai se dissipando em memórias até que nem me recorde mais como era minha vida com aquela parte.
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Metáforas à parte...
Não me sinto mais leve, ainda. Fiz o que tinha que ser feito, no momento que julguei mais adequado com os prognósticos que surgiam dia a dia.
Cada um tem seu tempo, e no meu tempo restou a certeza que não fui precipitada e a coragem chegou na hora que tinha que chegar. Tal como quando ouvimos de um médico que "todas as possibilidades foram tentadas". A insatisfação de ver que a pedra não se moveria sozinha, não me pertence mais... isso é libertador e eu estou me salvando.

Fica aqui a minha busca por novos cânions como encerra Martha na sua crônica "Cada um tem um cânion pelo qual se sente atraído. E um cânion do qual é preciso escapar."

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Hora da Poda

Tenho andado meio ausente, silenciosa, pensativa... Poucas vezes tantos sentimentos estiveram tão misturados, precisei me calar, o silêncio que vale ouro. Aos poucos saio do inferno astral. Já se passaram alguns dias do meu aniversário - cânceriana com ascendente em câncer com a lua em leão - muito se explica! Um perfil de obstinação emocional... quase passional. Mas ultimamente tenho dedicado muita obstinação em mim. A auto-obstinação é recomendável a todos sem contra indicações, mas preste atenção por que os véus que te cegavam ou embassavam sua visão começam a cair um a um!
Detalhes saltam aos olhos!
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Logo na primeira semana que me mudei, há mais de 6 anos, ganhei de minha mãe uma "árvore da felicidade". Segundo ela, precisa ser presenteada para dar sorte e consiste na união de uma árvore "macho" e outra "fêmea". Há quem acredite ou não... mas o fato é que em situações bem peculiares da minha vida a vi murchar, secar, quebrar galhos, brotar novos ramos...
Há dias tenho visto que ela andava meio murcha, talvez pelo frio... talvez por que eu tenha colocado pouca água, talvez por ter captado minha energias de inferno astral (yo no creo en las brujas pero que las hay, las hay!). Descuidei dela (e de mim), reguei a árvore e notei alguns galhos prestes a despencar e eu estava lá tentando reerguer e salvar os galhos da árvore. Num segundo de lucidez percebo que estava forçando a barra com a pobrezinha, exatamente como faço com a minha vida: uma persistência danada para manter ou salvar galhos quebrados! Neste instante  busquei a tesoura e libertei os galhos ressecados, dei uma boa regada, adubei e esperei. Hoje percebo que paciência, rega e podas permitiram a chegada de novos brotos, folhas mais verdes, mais fortes.
A minha arvorezinha da felicidade abriu meu olhos para o óbvio: PERSISTÊNCIA, DEDICAÇÃO e PACIÊNCIA.
Persisto em minhas regas periódicas, não posso afogar as raízes pelo excesso de água.
Alguns galhos precisam ser podados para que novos ramos surjam verdes e sadios.
Adubar a terra para fornecer o necessário para continuar evoluindo.
Paciência para que dia a dia se reestabeleça o equilíbrio perfeito - mudanças maduras exigem muita paciência para não colocar a carroça na frente dos bois.
Hoje, ao abrir a porta de casa olhei novamente para a árvore e ela estava revitalizada. Só faltou ela criar vida como em desenhos animados, dar uma piscadela e me dizer "hey, baby... era disto que precisávamos. Eu sou você, amanhã! ;)".


"Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma. Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles."
Rubem Alves

domingo, 26 de junho de 2011

Caindo na Real...

Fui intimada a ler o livro "O Domínio do Amor". Acho meio chato estes livros de auto-ajuda...  os autores se colocam numa hierarquia de superioridade irritante querendo dizer que o que é de mais difícil nos conflitos da humanidade parece muito simples, óbvio e fácil. Me sinto a pulga do rato na minha rélis incompetência e incapaz colocar em prática as teóricas dicas no estilo cartilha para "dummys"... mas enfim, tenho aceitado boas dicas de coração aberto. O livro trata das relações de co-dependência a partir dos retratos criados a respeito do parceiro e do quanto isso gera falsas expectativas. Aliás, há um abismo separando a esperança e expectativa... esperança é ESPERAR o melhor incondicionalmente... já a EXPECTATIVA sempre condiciona uma reação pela sua ação e isso leva a ilusão de estarmos no controle e daí o tombo pode ser catastrófico ao colocar a razão da sua felicidade no colo do outro.  Neste contexto engloba-se a grande diferença entre amor e paixão. Aí vão alguns trechos importantes.
"O medo de não sermos bastante bons para alguém é o que nos obriga a criar uma imagem. Procuramos projetar esta imagem de acordo com o que os outros querem que sejamos, apenas para recebermos uma recompensa."
"Aprendemos a rejeitar nós mesmos em busca da perfeição. É por isso que rejeitamos nossa própria condição humana, é por isso que nunca merecemos ser felizes, é por isso que buscamos alguém que abuse de nós, alguém que nos castigue. Por causa de imagem de perfeição, buscamos a autopunição."
"A felicidade nunca vem de fora de nós. Se você der sua felicidade a alguém, você a perderá"



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Aliado a isto, juntei fragmentos do texto de Carpinejar sobre a "Mulher Perdigueira".
"Pior do que ciúme é a falta de ciúme. A indiferença é uma doença muito mais grave. Alguém que não está aí para o que faz ou não faz, para onde vai e quando volta. (...)Tão cansativa essa mania de ser impessoal no relacionamento, de ser controlado, de procurar terapia para conter a loucura. Loucura é não poder exercer a loucura. Permita que sua companhia seja temperamental, intensa, passional. As consequências são generosas. Ela suplicará o esquecimento com mimos, sexo e delicadeza. O perdão é sempre mais veemente do que o rancor. Repare que no início do namoro todos são descolados, independentes, autônomos. Aceitam ménage à trois, swing e Chatroulette. Não caia, é disfarce, medo puro de desagradar. (...) Com uma mulher ciumenta ao lado nunca estaremos isolados, nunca estaremos tristes, nunca estaremos feios. Deixo que ela mexa em meu Orkut, deixo que ela leia meus e-mails e chamadas no celular, deixo que ela cheire as minhas camisas, deixo que ela veja meus canhotos e confira os cartões de crédito (com sua revisão, nem dependo de contador, é improvável um engano nas faturas).Facilitarei o acesso às máquinas, devidamente abertas e ligadas em cima da mesa, e tomarei banho para não incomodar. No jantar, esclarecerei qualquer dúvida. Perigoso é não responder e deixar a namorada imaginar. Entre a realidade e sua fantasia, mil vezes contar o desnecessário. Estarei em lucro. Não faço nem metade do que ela pressentiu."
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Parecem pensamentos opostos, mas não são! Ambos falam de autenticidade, aceitação de ser responsável pelos seus atos e pela sua identidade.
Tem categorias por aí (e começo a perceber que esta categoria cada vez mais domina o mundo) que só conseguem viver nas superficialidades das 'paixonites', num esforço e uma energia absurda para não descontentar o outro, acabam montando um cenário, uma mentira. É difícil fazer o upgrade para o amor, pois neste nível as máscaras precisam cair e os parceiros se revelam tal como são... saem do pedestal. Se existiam expectativas em relação àquele parceiro, neste momento dá-se início a um show de horrores... imagine só... afinal de contas a expectativa está relacionada ao controle e à condição de suas ações. Neste nível, príncipes viram sapos (ou homens de carne e osso) e temos que aprender a aceitar que são assim sim, e daí? Da mesma forma que as doces princesas se transformam em "patroas" (ou mulheres de carne e osso), são patroas sim, e daí?!
E sabe o que é mais difícil? É o príncipe aceitar que a princesa "transformada em patroa" agora não o vê mais como príncipe: acabou o conto de fadas e começa a vida real; mesmo que esta possa ser mais interessante do que a clausura de um conto, pois contos têm dia e hora para acabar enquanto a vida real... aaaah... essa não tem dia nem hora marcada para terminar - que delícia! Mesmo que esteja tudo bem para ela e seja até libertador descobrir que o príncipe é sapo. Para ele é desesperador saber que não é mais príncipe.
Dá-se início a tal "idade do lobo": em busca de princesas que ainda estão na etapa de ver homens de carne  e osso como um fantasioso príncipe. A fase mulher loba é caracterizada por uma real identificação e libertação, revelando-se com suas arestas aparadas, pois já não sente mais necessidade de provar nada para ninguém. Ao contrário, a fase homem lobo se mostra justamente no oposto: o desespero de provar que ainda é príncipe, correndo o risco de ficar no eterno ciclo vicioso príncipe-sapo-príncipe... bem, não tão eterno assim... chega uma hora que a realidade (e o tempo) bate na porta e sapo não se transforma mais em príncipe (nem a pau, Juvenal)!
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Carpinejar foi sábio e em tempo descobriu que não é príncipe e por isso passou a aceitar que precisa é da patroa para se divertir... princesas passam a ser 'so boring'. Passa a tirar proveito do que via de regra é repulsivo nos contos de fadas.
O bom mesmo é gastarmos nossa energia numa baita surpresa para o seu 'amor sapo' ao final de um dia exaustivo de trabalho ou até numa louca reconciliação depois de um "pití" ridículo digno de 'patroas'... mulheres sempre tem "pitís ridículos", qualquer coisa além disto é propaganda enganosa, uma boa terapia apenas previne que sejam "pitís" públicos!  Se ele coacha, nem me importo... afinal sou perdigueira! Ufaaa, que alívio poder se aceitar sem vergonha...!!!! Acredito muito em transformações e mudanças internas, mas a essência não muda, então só resta assumir e administrar para ficar menos feio. Certa vez uma amiga psiquiatra me disse que segundo Nietzche, a humanidade se divide em duas categorias: os ciumentos e o mentirosos! Well, eu sou ciumenta!! Me libertei há algum tempo do ciúme controlador, mas o ciúme perdigueiro do Carpinejar (salvo os exageros, permissões poéticas e excentricidades de seu estilo próprio)... ah ... este não me larga e quer saber? Assumo e tiro proveito positivo dele.
Bom mesmo é ele rir e encarar positivamente com o meu lado perdigueira e eu relevo achando graça de suas coachadas nos dias chuvosos. Simples assim, sem fazer "tipo".  A aceitação e libertação estão lado a lado.
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Na real, patroas e sapos se divertem muito mais do que príncipes e princesas!

sábado, 28 de maio de 2011

Pane no Coelhinho.

Caso sinistro, mais uma comédia da vida privada!
Cenário: Estacionamento de um supermercado qualquer
Personagens: Duas amigas rindo da desgraça alheia, falando amenidades...

Ela: Amiga, vou indo, preciso dar uma passadinha na farmácia. Tô precisando de fita micropore bem fininha e não encontrei por aqui.
Eu: ah, colega. Se é emergência eu tenho aqui na minha bolsa. Sabe como é, sou teimosa com salto alto e às vezes massacra meus pés.
Ela: nãaaa, pode deixar aí. Preciso levar para casa, necessito dele para um reparo elétrico.
Eu: what? então nesse caso não seria uma fita isolante?
Ela: Não amiga. Equipamento muito delicado, pequeno.
Eu: Bom, mas então leva numa eletrônica. Micropore pode dar problema, hein.
Ela: Nãaaao, tenho certeza que dou um jeito sozinha, não é beeem elétrico tipo de tomada... é à pilha.

(ham ham.. comecei a desconfiar do teor da ansiedade dela e aí não resisti em cutuca-la mais um pouco. Perco o amigo mas não perco a piada.)

Eu: eletrônico pequeno à pilha que não pode ser levado numa eletrônica? Colegaaa, qual é, hein? Vai colocar micropore onde? Desembucha aí.
Ela: Táaaa, preciso consertar o meu rabbit vibrator importado último modelo. Paguei uma fortuna e agora está com mau contato, pô! Como é que vou levar num técnico em eletrônica? Vou dizer o que? "Senhor, por favor conserte este equipamento, não é o que o senhor está pensando, é um massageador de exclusivo uso fisioterapeutico para minha vózinha que sofre muito com bico de papagaio".

(pausa dramática, pois as lágrimas já corriam pelo canto do meu olho segurando uma gargalhada que com certeza duraria alguns minutos a ponto de me contorcer. Respiro fundo e olho fixamente dentro da minha bolsa evitando encara-la para controlar o riso. Imaginei o modelo com o momento de constatação do "mau contato" e fica quase impossível controlar a gargalhada, mas mantenho-me no prumo por algum tempo. Essa imagem aí é meramente ilustrativa, viu!)

Eu: Posso imaginar a dimensão do teu problema (juro que eu realmente estava me colocando no lugar dela e compreendendo a amplitude do drama embora ainda com a imensa vontade de gargalhar). Pega aqui minha fita micropore fininha, faço questão em contribuir com o reparo do teu brinquedo.

Nesse momento observo nela um semblante de alívio e felicidade.

Ela: Sério? Bah, depois quando encontrar uma fininha eu te reponho!!!
Eu: Fica fria, nem esquenta... afinal, amigo é para estas coisas, né?! (pensei... ai que estranho o contexto da frase!) Bem, espero que consiga conserta-lo e... divirta-se! (baaaah, mais estranho ainda!!!)

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Moral da História: estranho como amigo pode surgir e salvar situações bem inusitadas.
                            Nunca faça um investimento altíssimo neste tipo de brinquedo, pois pense que quando estragar, ou não haverá técnico especializado para o reparo ou você não terá cara de pau suficiente para solicitar conserto!

APOSTO QUE NINGUÉM NUNCA PENSOU NESTE ASSUNTO. IMAGINE VOCÊ COMO RESOLVERIA ESTA CRISE  SEM MANCHAR SUA REPUTAÇÃO.

p.s: a autora da cena peculiar me autorizou a publicação salvando seu anonimato sob pena de morte. Foi tão pitoresco que merecia ser compartilhado e ela concordou!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

How to save a life - 2


A música "How to Save a Life" postada anteriormente com o texto homônimo parecia ser uma uma intuição do que estava por vir, relendo as últimas postagens parei na letra e a percebi entrando como uma luva no presente. Por que quanto mais tentamos acertar, é que notamos o quão errados estamos:  fazer muita força para que algo dê certo, definitivamente é o primeiro sinal que está remando contra a maré. Quanto mais rodopiamos procurando resposta por onde erramos (Where did I go wrong), menos respostas aparecem e ficamos num vácuo até descobrir talvez você não consiga salvar uma vida (Had I Know How to Save a Life?) ... ou talvez não queira ser salvo por mim...  O fato é que eu, nem ninguém, está no controle.
Queridos leitores, não sei se vai adiantar dizer alguma coisa,  partindo do princípio que pouco ouvimos o que nossos pais nos orientam por que temos convicções a serem vividas e esgotadas. Mesmo assim, a minha dica é que:
Se a caminhada está cheia de atritos e penosa, observe se quem está soprando o vento contra não é "O CARA LÁ DE CIMA". Repara bem, pode ser que Ele esteja soprando o vento na outra direção com o propósito de te indicar o caminho mais suave e menos penoso. Você não precisa correr com vento contra, a não ser que realmente queira, mas assuma o risco de "morrer na praia", perder fôlego no decorrer do trajeto. Descobrir o aprendizado na DOR é uma opção NOSSA, Deus nunca preconiza isto aos seus filhos, mas infelizmente tem sido o único jeito de enxergarmos a verdade nua e crua.
Depois de tudo, nem perca tempo tentando entender o porquê. Foi por que tinha que ser, fim de estrada e aprendizado  para uns, repetência para outros... pegue seu diploma e Salve sua Própria Vida.



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Novos caminhos

Pelos últimos posts, muitos puderam perceber que grandes movimentos estavam acontecendo. Textos profundos e complexos surgiram e felizmente percebi que muitos compartilhavam de experiências e sentimentos semelhantes. Hoje segue um dia dos mais doloridos e dos mais importantes na minha metamorfose e tenho certeza que mais uma vez muitos podem se identificar com o que vem nas próximas linhas.
Passei por uma das puxadas de tapete mais violentas dos últimos 36 anos de vida. Sempre fui e acho que ainda sou a canceriana legítima: mãezona de todos, mega romântica (já fiz jantar a luz de velas ao som de Fábio Jr., e por aí vai), super defensora da família, nunca desisto de nada, etc etc etc...  Como tal, sou fã e confiante na bondade do ser humano, imagine então das pessoa que amo. Vista como ingênua, burra e outros rótulos, nunca consegui corrigir este hábito. Fui para terapia para, entre outras coisas, aprender a colocar meus pés no chão e voar um pouco menos. Graças a Deus, funcionou... mantive meus pés no chão, mas infelizmente não perdi a fé no ser humano. Foi aí que "dei com os burros n´água".
Tive o maior do tombos. Destes de ficar com joelho, cotovelo e dedos ralados. Tô demolida, revendo um filme que não queria mais reprise. Terei que esperar as feridas cicatrizarem em cima de outras que já haviam fechado. Aí poderei seguir um novo caminho.
O que vejo, é que uma Vanessa ficou para trás e esta não voltará mais. A cada dia que passa a reconheço menos, passei 20 dos meus 36 anos (e isso significa mais da metade da minha vida) acreditando muitíssimo em uma grande mentira. Vivo o paradigma da satisfação de esgotar as minhas possibilidades num misto de um certo orgulho e tranqüilidade de ter feito sempre o caminho mais correto e honesto com uma profunda vergonha de mim mesma por ter sido tão tola e me deixado enganar. SIM, por que ninguém é totalmente vítima, somos responsáveis pelas nossas escolhas e assumo que fiz uma escolha para lá de errada, tive profunda fé em quem não tem fé em si mesmo. O calcanhar de Aquiles foi justamente este, tive mais fé em outro do que em mim mesma. Big Mistake.
Então, My Dear... estou juntando cacos, ainda nem sei como vai ser, só sei que vai ser... como disse, foram 20 anos pensando e sentindo de um jeito e de repente me vendo desejando muito escrever um novo script. E como boa canceriana persistente e audaz, hei de conseguir.
Vou me amar mais, tô precisando ser um pouco mais ruinzinha como mecanismo de proteção contra 'cachorro fraco', sabe? É uma boa estratégia, a veterinária aqui explica:
Sabe quando tem aqueles micro toys, chihuahuas ou pinschers xexelentos querendo pegar o teu calcanhar? esses são os piores, a mordida é dolorida e humilhante e ainda por cima só mordem pelas costas. Eles fingem e acham que são um rottweiller mas na real... não passam de micro cães 'peso pena' que nada podem. Então, se você se encolhe num canto, eles vem com tudo e tomam conta... avançam pra valer. A técnica é você parecer ruinzinha: bate o pé, enfrenta e dá uma rosnada de volta, fala um pouco mais firme e os xexelentos já se pelam de medo e se colocam no devido lugar.  Com 'bicho gente' também é assim: se você se encolhe o fraco toma conta, mas se fala um pouco mais firme ele já se "péla de medo e vaza da área".  Morro de pena desta espécie, pois o destino deles - na sua falta de humildade e espelho - é serem engolidos por um fortão ou serem engandos por um filé, afinal eles " se acham os valentões" - pobres cães egocêntricos... Senhor, tende piedade. Não se assustem se me verem rosnando por aí, não é nada pessoal... só estou expulsando os micro toys e afins da minha vida, pois já morderam demais meus calcanhares! Ficam com sua carinha de carente pedindo carinho e de uma hora para outra... nhac!


"O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte."
Mahatma Gandhi

terça-feira, 26 de abril de 2011

Transparência

Aí vem o post mais megalomaníaco... vou falar de mim, mim, mim!
Hoje fui me resgatar do porão. Me encontrei no meio de caixas, poeira, escuro, entulho. Não sei por que, mas às vezes insisto em voltar ao porão... dura um tempo, mas acabo achando um jeito de sair.
Talvez muitos se identifiquem com o que vem por aí, mas tenho uma tendência excessivamente cuidadora. Não me contento em secar as lágrimas e alcançar o lenço, tenho que sofrer e chorar junto. Normalmente o que acontece é que o "ser cuidado" sente-se aliviado e segue o rumo enquanto eu "cuidadora"  fico com a "cráca" toda.
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Outro dia, estava conversando com um amigo próximo... daqueles homens rústicos (nãaa... tosco mesmo!) mas de coração bom. Eu tentei exaustivamente disfarçar, omitir... até que ele diz (e veja bem... para um homem perceber, sinal que a coisa já é escancarada e ainda por cima se ele for meio "tosco", aí então deve ser algo muuuuuito bandeiroso): "Você é transparente, mas tão transparente que enxergo tudo que está dentro do seu coração. Tenta disfarçar mas não consegue."
Me senti ridícula e tola... mas em seguida foi o efeito beliscão!
Hey! Essa sou eu, não preciso provar nada para ninguém. Sou arrojada com a vida, encaro absolutamente tudo que ela me propõe e ainda tenho projetos audaciosos... sem medo... bem... talvez com um pouco de medo, às vezes até pânico, sim: instinto de auto preservação! Mas o fato é que vivo dando a cara à tapa. Aprendi a perdoar, a não amargurar, não ser orgulhosa, a saber ouvir, a não esmoecer, a saber esperar, inclusive a me soltar e me permitir. Aliás, há quem me conheceu antes da fase solta e ainda se escandaliza... essa é a melhor parte! rsrsrs Por essas e outras, tenho o direito de ser "transparente", what the hell!!
Só tenho esse pequeno problema de entrega excessiva, mas graças a Deus, sempre tem uma boa alma que me belisca para me lembrar que EU SOU UM ESPETÁCULO! sabendo que o mercado tá cheinho de mulher disponível, mas como representante da classe me arrisco a dizer que BOAS mulheres BOAS são pouquíssimas por aí. Eu coloco a minha mão no fogo por uma meia dúzia, NO MÁXIMO.
Não preciso pedir atenção, carinho, mendigar absolutamente nada! Cutuco teu ombro uma, duas vezes, na terceira tem que vir com um buquê de flores e muito ziriguidum. Senão, baby... que pena!
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Tô saindo do porão... não garanto que não vá visita-lo mais algumas vezes nesta vida, mas garanto que sempre saio e aprendendo mais uma coisinha.
Vou limpar as crácas que não me pertencem... me acabar numa pista de corrida, fortalecer as pernas e colocar os demônios para fora numa aula de spinning, voltar a cantar enlouquecida no carro a caminho de casa, me acabar numa garrafa de espumante... enfim... gozar os instantes de liberdade pós clausura de porão.
Aí vai a trilha que me inspirou. " Lady Antebellum - I Run To You". Muita atenção na letra!!!