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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Quando chega a hora de dizer "passou".

Sou leitora das crônicas de Fabrício Carpinejar e considero que sua leitura tem uma alma tão feminina quanto muitas moçoilas por aí e que tem o dom de poetizar os sentimetos do que uma mulher vive, só que ele é homem! Believe it or not!!
Algumas frases soam como uma sentença das experiências pessoais, daí percebo a insignificância da minha história e que minhas dores não são únicas nem piores do que o resto da humanidade.  Através de uma crônica dele caiu a inspiração: "Um dia você se verá feliz por ter estado triste ... Um dia entenderá que o destino realmente faz sentido, e que a falta de sentido ainda era caminho. Um dia você perceberá a clara diferença entre orgulho e confiança, entre obsessão e paixão, entre fantasia e sonho."
Pense e reflita a respeito...
Lembrei de minha mãe, minhas amigas, minha terapeuta, e acho que até minha cachorra deve ter me dito isso entre um olhar e uma lambida enquanto deitava aos meus pés... "vai passar, tudo passa". No auge da dor e do sofrimento busquei todas as explicações e justificativas. Impossível enxergar, impossível seguir qualquer tipo de conselho, impossível qualquer esforço de acelerar o processo de dor. Muitas vezes me perguntando e rezando antes de dormir "quando que essa tempestade vai passar? por que eu?". Muita revolta quando ouvia que um dia iria rir do passado e até agradecer pelas tempestades e furacões.
Passou... um dia abri a janela e vi um amanhecer ensolarado com cheiro da chuva que deu trégua, grama molhada e orvalho. Acredite... os pulmões se enchem mais de ar, os olhos observam detalhes nunca percebidos, a coluna alivia-se do peso liberado. Paz e esperança é tudo que se sente.
Percorri um longo caminho para viver as palavras de Carpinejar e não teria absorvido os sentimentos impressos nas palavras dele se não tivesse trilhado essa experiência... muito mais longa do que eu desejava que fosse, mas felizmente eu consegui respeitar o meu tempo, meu único aliado simultaneamente sendo amigo da cura e inimigo da ansiedade.
Hoje sou feliz por ter estado triste, e é muito clara a diferença entre orgulho e confiança, a obsessão virou item do passado e o perdão virou palavra de ordem. Por tantas tempestades, meus pulmões tem fôlego para inspirar o presente. A visão está aguçada a ponto de perceber a perspicácia do destino e este tempo todo eu é que o subestimei... e muito! Sr. Destino e suas brincadeirinhas que nos surpreendem com belíssimas possibilidades bem ali do teu lado, um pouquinho mais na direita ou na esquerda, mas bem ao teu alcance.
Quando te disserem que vai passar pode ter chilique, mas tenha fé que realmente vai passar... Passa para todos. E sempre vai passar, mesmo quando acontecer de novo e de novo...
O tempo é a única variável, a superação é o denominador comum.

 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Novos caminhos

Pelos últimos posts, muitos puderam perceber que grandes movimentos estavam acontecendo. Textos profundos e complexos surgiram e felizmente percebi que muitos compartilhavam de experiências e sentimentos semelhantes. Hoje segue um dia dos mais doloridos e dos mais importantes na minha metamorfose e tenho certeza que mais uma vez muitos podem se identificar com o que vem nas próximas linhas.
Passei por uma das puxadas de tapete mais violentas dos últimos 36 anos de vida. Sempre fui e acho que ainda sou a canceriana legítima: mãezona de todos, mega romântica (já fiz jantar a luz de velas ao som de Fábio Jr., e por aí vai), super defensora da família, nunca desisto de nada, etc etc etc...  Como tal, sou fã e confiante na bondade do ser humano, imagine então das pessoa que amo. Vista como ingênua, burra e outros rótulos, nunca consegui corrigir este hábito. Fui para terapia para, entre outras coisas, aprender a colocar meus pés no chão e voar um pouco menos. Graças a Deus, funcionou... mantive meus pés no chão, mas infelizmente não perdi a fé no ser humano. Foi aí que "dei com os burros n´água".
Tive o maior do tombos. Destes de ficar com joelho, cotovelo e dedos ralados. Tô demolida, revendo um filme que não queria mais reprise. Terei que esperar as feridas cicatrizarem em cima de outras que já haviam fechado. Aí poderei seguir um novo caminho.
O que vejo, é que uma Vanessa ficou para trás e esta não voltará mais. A cada dia que passa a reconheço menos, passei 20 dos meus 36 anos (e isso significa mais da metade da minha vida) acreditando muitíssimo em uma grande mentira. Vivo o paradigma da satisfação de esgotar as minhas possibilidades num misto de um certo orgulho e tranqüilidade de ter feito sempre o caminho mais correto e honesto com uma profunda vergonha de mim mesma por ter sido tão tola e me deixado enganar. SIM, por que ninguém é totalmente vítima, somos responsáveis pelas nossas escolhas e assumo que fiz uma escolha para lá de errada, tive profunda fé em quem não tem fé em si mesmo. O calcanhar de Aquiles foi justamente este, tive mais fé em outro do que em mim mesma. Big Mistake.
Então, My Dear... estou juntando cacos, ainda nem sei como vai ser, só sei que vai ser... como disse, foram 20 anos pensando e sentindo de um jeito e de repente me vendo desejando muito escrever um novo script. E como boa canceriana persistente e audaz, hei de conseguir.
Vou me amar mais, tô precisando ser um pouco mais ruinzinha como mecanismo de proteção contra 'cachorro fraco', sabe? É uma boa estratégia, a veterinária aqui explica:
Sabe quando tem aqueles micro toys, chihuahuas ou pinschers xexelentos querendo pegar o teu calcanhar? esses são os piores, a mordida é dolorida e humilhante e ainda por cima só mordem pelas costas. Eles fingem e acham que são um rottweiller mas na real... não passam de micro cães 'peso pena' que nada podem. Então, se você se encolhe num canto, eles vem com tudo e tomam conta... avançam pra valer. A técnica é você parecer ruinzinha: bate o pé, enfrenta e dá uma rosnada de volta, fala um pouco mais firme e os xexelentos já se pelam de medo e se colocam no devido lugar.  Com 'bicho gente' também é assim: se você se encolhe o fraco toma conta, mas se fala um pouco mais firme ele já se "péla de medo e vaza da área".  Morro de pena desta espécie, pois o destino deles - na sua falta de humildade e espelho - é serem engolidos por um fortão ou serem engandos por um filé, afinal eles " se acham os valentões" - pobres cães egocêntricos... Senhor, tende piedade. Não se assustem se me verem rosnando por aí, não é nada pessoal... só estou expulsando os micro toys e afins da minha vida, pois já morderam demais meus calcanhares! Ficam com sua carinha de carente pedindo carinho e de uma hora para outra... nhac!


"O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte."
Mahatma Gandhi