sábado, 6 de outubro de 2012

Pacote completo

     Enfim, voltando a respirar e olhar o céu azul! SAÍ DA CLAUSURA... Foram meses completamente imersa na densa malha de um final de doutorado, mas tudo termina um dia e mais uma etapa se concluiu. Título na mão, ciclo finalizado!
A partir do dia 27 de setembro de 2012 me tornei doutora phD em Ciências... mas não foi só um título, foi uma bagagem que soltei na vida pessoal. Só me faz perceber que a vida é um entremeio com muitos emaranhados. Dizer não ou dizer sim para um fato isolado reflete em uma forte reação em cadeia... efeito dominó. Concluir um ciclo profissional levou a conclusão de mil coisinhas ou coisONAs  que estavam penduradas no cabide... ciclos embutidos e interligados como uma corrente! A gente não escolhe, simplesmente ACONTECE! Como abrir uma janela: não escolhemos o que queremos enxergar ou não, simplesmente está lá. Hoje sou doutora e uma grande questionadora de oportunidades, mas veja bem... antes eu era daquelas que colocava a mão no queixo e perguntava "SERÁ?", hoje o enfoque e a metodologia mudaram e isso tem feito toda a diferença, hoje prefiro perguntar "POR QUE NÃO?".
NADA vem com garantia nessa vida e tenho segurança em afirmar que NADICA de NADA vem com garantia... nem aquela TV LCD chiquéeerrima tem, pois se acontecer pane e você não garantir que não fez nada de errado com ela, a fábrica retira sua garantia! IMAGINA em fatos da nossa vidinha!
Absolutamente tudo que eu achava ser garantido já se foram pelo ralo: conceitos, preconceitos, crenças, sonhos, desejos... Mas tô na boa! Mordo a língua e admito. Só tenho que perder o cacuete de dizer "Eu jamais faria ou iria ...", pois é justamente ali que quebro a cara na próxima esquina.
Só sei que tudo acaba bem, do jeito que tem que ser... só deixar a vida sorrir pra você e estar atenta aos "sinais" ... não no sentido holístico, mas em relação a prestar atenção no seu coração.
    Nos últimos meses levei dois tombões fenomenais (não é metáfora, foram reais) que me custaram um joelho ralado daqueles de pirralha que cai no areião, quando estava quase cicatrizando caí no mesmo joelho que imediatamente levantou outro ´tampão´... aaarrrghhh! Dói muito e não pude evitar o tombo, mas foi O SINAL! Sinal que posso caminhar e caminhar traz o risco de cair, mas nem por isso vou deixar de caminhar, certo?    
     Ah, sim... caí por que estava num saltinho ´básico´ de 10cm, não sei se levaria o mesmo tombo se estivesse de sapatilhas, mas eu gosto dos meus saltões e não abro mão deles. O joelho está cicatrizado e eu sigo caminhando, usando salto alto.
     A vida oferece riscos, desafios e novos percursos, SEM NENHUMA GARANTIA DE SUCESSO. Nem as surpresas mais sólidas irão te garantir prosperidade eterna... a gente é que põe essas caraminholas matemáticas na cabeça. Então, baby... BE HAPPY, pergunte-se mais "por que não?",  e quando vier aquele fantasminha te perguntando "mas e se você se machucar?" responda firmemente "eu sei que vai cicatrizar!!"... apele para os santos, reza braba, costura na boca do sapo... mas não deixe de lutar, de arriscar.
     A propósito, é um post autobiográfico SIM! Este é um momento de muita alegria, incógnitas e felicidade. Estou feliz, mas ansiosa, feliz, mas sem garantias, feliz, mas metendo a cara a tapa, feliz, mas rezando para não ´ralar o joelho´, feliz e VIVA... vivinha da silva! Percorrendo novos caminhos em novos mapas, sem saber onde vai parar, mas sem a menor vontade de retroceder!!  ;)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Limpeza do Copo

Enfim, o primeiro post de 2012! O ano não virou, foi virando desde meados do ano passado e talvez continue virando nos próximos meses.
Desejei menos e andei agradecendo mais.
Agradeci pelas últimas constatações, pelos véus que sairam da frente dos meus olhos. Tudo trouxe novas cores e novos ares. Isso já é motivo de bom tamanho para o agradecimento.
Quando os véus caem, a vida recebe uma nova "demão" de tinta. 
     Surpeendentemente, a caída de véus mostra tudo, até o que você achava que estava em ordem. O pacote é completo!
     Quando os véus caem, é possível olhar todos os ângulos e sentidos: dentro, fora, atrás, lados, frente. No início assusta, depois pensamos "mas como...?", a seguir é hora de estabelecer a escolha da nova cor.
     Decidi que com a queda dos véus, a cor do momento é a cor LIMPA! Não será rosa, não será azul, nem branco ou preto... serão todas as cores desde que sejam LIMPAS!
    Tal qual um copo ou balde sujo. Enquanto não  lava, nem adianta colocar nada ali por que "pega o encardido" do recipiente sujo.
    Lavei meu copo e meu balde para não correr o risco de encardir ou manchar o que possa vir a receber na sequência. Lavar o recipiente é a cura das ilusões e desilusões.
Imagina suas ilusões como um copo manchado de rosa... rosa simboliza você fazendo de conta numa situação exigindo uma decisão e você lá... cheia de ´panos quentes´ para disfraçar a realidade nua e crua. Enquanto não lavar o copo, tudo que vier a seguir estará manchadinho de rosa... pipocado com pinceladas de ´panos quentes e empurradas com barriga'. Lavei meu copo para que a próxima cor seja REAL e sem manchas do passado.
     Imagina o contrário... Uma fase negra e barrenta na sua vida. Se não lavar o copo, o ROSA, o AZUL, o LILÁS ou BRANCO irão ficar impregandos de NEGROS ou  sujos BARRENTOS... deixa de ter a beleza e a luz da cor original.
    Estou calmíssima lavando o meu copo para receber todas as cores necessárias. Designada a recebe-las e se for PRETO, que seja o PRETO verdadeiro... não adianta pintar bolinhas rosas... lavarei o copo para receber um radiante AMARELO ou o estimulante VERMELHO.
     Sentimentos reais com toda clareza e sinceridade que nós merecemos só serão identificados se meu copo estiver como cristal transparente e limpo.
     Tenho me sntido especialmente feliz pelo simples fato de ter me dedicado a escovar e cuidar do meu copo. Cabe a cada um encontrar a forma de limpar seu próprio copo... e por favor, não designe esta limpeza a NINGUÉM: cada um é responsável pelo seu próprio copo. Uma organizada no corpo, mente e um banho de mar ou cachoeira... descubra a sua metodologia.
     Até os meus momentos mais difíceis ficam mais fáceis de serem superados por que não tem sujeira acumulada, percebe!!??
Assim eu sou, assim funciona meu copo e meu coRpo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Onde o amor próprio mora.

Nesse período de quase 60 dias off e fora da área de cobertura estive "colocando ordem no galinheiro". Fiz o que tinha que ser feito doa a quem doer (inclusive a mim mesma). 
Ouvi muitas histórias e reparei que 2011 foi um ano de limpeza geral e pesada, no bom estilo Multilimpadores Alvejantes. Acredite ou não... mas parece que a energia de varrer a sujeira para fora de casa imperou neste ano. Faxina é bom mas é ruim, por mais que gostem... é chato... colocar tudo para cima, aquele caos para depois acomodar tudo no seu devido lugar. Depois que tudo se ajeita vem aquela sensação de conforto e leveza... mas até lá... é pauleira!
Percebi que muitas separações aconteceram neste ano, incrível... mas cada história que se arrastava por tantos anos, e justamente em 2011 chegaram no ponto final. Términos das mais diversas formas: por querer e sem querer. Ouvi relatos de pessoas que passaram por todo o tipo de casamento: longos, curtos, mansos, conturbados... mas o denominador comum unânime foi que independente do amor e do sentimento pelo parceiro, precisavam resgatar o amor próprio. Quando me refiro a casamento... não é necessariamente ligado à relação formal, com pompa, igreja e aliança na mão esquerda. CASAMENTO é todo pacto selado de dedicação ao outro, seja velado ou declarado... e aí vai uma extensa categoria: namorados, esposos, amantes, namoridos, etc, etc, etc. Quem tem sabe e quem somos nós para julgar em que momento virou ou desvirou CASAMENTO.... sejamos democráticos e menos hipócritas para aceitar as inúmeras formas de CASAR-SE. A amante que espera é tão casada quanto a esposa "real". Quem esteve dos dois lados do muro não ousa duvidar do status.
Enfim... há casamentos que perduram e fico imensamente feliz ao ver relações superarem obstáculos e testemunharem a passagem de muitos anos. Mesmo assim, percebo que além de toda receita de bolo que conhecemos para fazer uma relação sólida prosperar (amor, cuidado, amizade, tolerância...) NUNCA deve faltar o AMOR PRÓPRIO, pois este é o fermento do bolo. Sem amor próprio, mesmo com abundância de todos os ingredientes, o bolo embatuma... e aí, amiguinhos... fica intragável mesmo com ingredientes da mais alta qualidade! Ou pior... desce na goela e  mais cedo ou mais tarde embucha!!
É  emocionante ver casais de amigos encontrando curvas nos obstáculos para seguirem suas caminhadas. Recentemente fui numa cerimônia de Bodas de Prata e me emocionei muito, imaginei a passagem do tempo de um casal que se casou muito jovem e superou muita coisa com parceria e amor. Devem ter sido desacreditados por muitos durante vários capítulos de sua riquíssima história, mas perseveraram ... não por teimosia, nem por conveniência. Também nunca colocaram o casamento como algo indissolúvel, mas estavam juntos por que não jogaram no colo do outro a responsabilidade por sua própria felicidade. Hoje vivemos num mundo em que casamentos, amores e paixões são facilmente construídos e desconstruídos, onde dizer "eu te amo" ficou tão fácil, apesar de durar até a página 9 ou 10.
Defendo a instituição casamento, não pela religiosidade, mas por que tô com nojinho desse efeito pipoca da humanidade: não deu, pula para outra, não deu de novo, pula de novo para outra... e vai levando uma bagagem de imaturidade na mochila que não se resolve nunca. Inúmeras relações de um único capítulo erroneamente rotuladas de 'modernas' no equivocado estilo 'bola pra frente'.
Vejo meus pais juntos há mais de 50 anos com suas diferenças e suas implicâncias... e quando começo a questionar se de fato ainda se amam ou virou acomodação, encontro alguém que me ralata terem encontrado-os caminhando juntos numa manhã no calçadão de Ipanema. Bem... é isso aí... simples assim... de fato é vida como ela é, a concretização do amor ao próximo e amor próprio.
Tenho colocado limites de aproximação àqueles que queiram sugar algo que possa comprometer meu amor próprio. Pois é... ele foi devastado e desde o momento que coloquei uma cerca de proteção para me recompor, TODOS que por ventura tenham segundas intenções se afastaram. No início estranhei vários afastamentos que nem tinha percebido que poderiam ser nocivos, mas enfim... a regra é para todos e tenho agradecido por tudo mesmo sem entender muito bem o porquê, AINDA....
Como dizia Clarice Lispector "Tenho meus limites, o primeiro deles é o amor próprio".
Fica o vídeo de uma mulher que tem muito amor próprio: Adele. Deixou sua voz brilhar e imperar num mundo um tanto quanto fútil e sem amor próprio.

sábado, 1 de outubro de 2011

Pretensão Feminina

Pois eu sou defensora número 1 da força e soberania feminina e por isso mesmo e por ser contra radicalismos sinto-me muito à  vontade de indicar o PIOR dos piores defeitos das fêmeas: mulher é um bichinho excessivamente pretensioso.
Tenho convivido e ouvido histórias de vida de mulheres totalmente diferentes em estilos de vida, idade, modelos de educação, etc. Mas em um item todas convergem - e isto me inclui, obviamnete- a incorrigível mania de achar que pode mudar o parceiro! Esse cacuete de achar que certamente com ela vai ser diferente e que vai saber conduzir com mais maestria os erros e fraquezas do parceiro em suas relações anteriores.
POR QUE, MEU DEUS!? Isso é competição intersexual, e aí vai mais um defeito... mulher é competitiva demais quando o assunto é se sentir superior e mais competente que a "ex" ou uma "outra" qualquer.
Tudo bem... eu bem sei que o mercado de homens disponíveis tá em baixa e o investimento em ações "pró-homens-interessantes" anda cada vez mais down nas cotações de todas as moedas no mundo. Mas daí a achar que é mais poderosa pelos motivos que ouço por aí e lançar estratégias espertas para conseguir o que quer como se fosse um plano de guerra, no way.
Tenho visto muitos casamentos e relacionamentos ruirem pelo mesmo motivo. Todas relatam que mesmo apaixonadérrimas acreditavam que o que as incomodavam no parceiro poderia ser modificado ao longo dos anos. Inacreditavelmente, esta mesma pedrinha no sapato que ilusioramente pensou que poderia sair dali se transformou num abismo para a inevitável separação. Sejamos sinceras... isso é petulância e pretensão feminina! Sua mãe não conseguiu modificar sua essência e suas manias, por que você acha que tem esse poder sobre outro ou sobre o parceiro??? hein hein hein???
Vou mais além... toda  mulher sabe que emendar relacionamentos é um tiro no pé. É como escrever por cima de páginas de um livro: histórias sobrepostas da qual fica impossível ler o que está por cima ou por baixo. Então por que tem tanta mulher achando que podem dar conta de uma bronca destas? Só pode ser pretensão!! Petulância ou desespero achar que com você será diferente!! Como querer que um bebê de colo caminhe... não há como. Existem processos quase fisiológicos para o encerramento de capítulos e início de novos. O livro "Perdas Necessárias" de Judith Viorst relata muito bem esta transição.
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Queridas mulheres desbravadoras
Baixem um pouco a bola, pelo bem de vossos corações! Ninguém muda ninguém! As pessoas mudam por vontade própria e não por sua vontade. Nem Deus modifica seus filhos e por isso criou o livre-arbítrio, que raio de idéia a faz pensar que você tem esse poder?? Se o cara é paradão, vai continuar assim... se é mulherengo, mulherengo coninuará. O pacote é fechado, pague o preço ou caia fora.
Homens recém saídos de relacionamentos têm uma forte tendência a se vitimizarem e por isso investimentos deste nível são de alto risco. Se vai entrar, coloque os pés colados no chão e não acredite em tudo que ouve, use um super filtro e mantenha o botão da humildade permanentemente clicado. Você NÃO é mulher-maravilha, a "ex" NÃO devia ser o capeta em pessoa e ele NÃO é o super-homem cheio de caráter que não foi devidamente valorizado. Dispa-se de tanta fantasia, de tanta vaidade... não existem inocentes, culpados e você não é salvadora.
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Depois do sermão, as doces palavras do mestre Quintana que era um sábio despretensioso!

"SEM PRETENSÃO

Não tenho
A pretensão
De que todas
As pessoas que gosto,
Gostem de mim.

Nem que eu faça
A falta que elas fazem.
O importante para mim
É saber que eu,

Em algum momento,
Fui insubstituível...
E que esse momento será inesquecível!
Só quero que meu sentimento
Seja valorizado!

Quero um dia,
Poder dizer às
Pessoas que nada
Foi em vão
Que o amor existe
Que vale à pena se
Doar às amizades
Às pessoas...
Que a vida
É bela sim!
E que eu
Sempre dei o
Melhor de mim.
E que valeu à pena!

Mário Quintana"

domingo, 4 de setembro de 2011

Para não perder inspiração

Nesta louca loucura da vida até a inspiração fugiu de mim. Dona culpa e sra. responsabilidade invadem minha consciência diariamente: não me sentia competente nem para redigir um texto coloquial, uma crônica do cotidiano... imagina com as outras atribuições da vida.
Geralmente, a inspiração vem da permissão de pensamentos penetrarem a mente e a partir daí construir um raciocínio. Mas entramos num ritmo tão frenético que sequer permitimos construir este raciocínio... as idéias entram e saem desalinhadas e fica o desperdício de vida desproporcionalmente corrida passando pela gente impedindo a percepçao da essência pela qual estamos aqui. Veja bem, quando me refiro a inspiração, não é somente a inspiração de escrever um blog, mas de TUDO na vida. Tudo requer inspiração para ser bem vivido, bem semeado e bem colhido.
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Assisti uma formatura e talvez pelos momentos pessoais que vivo, me emocionei de maneira diferente e com um enfoque distinto das outras colações de grau  testemunhadas até hoje. Vi jovens sentindo os mesmos sentimentos que vivi há 12 anos atrás, com a mesma visão romântica e otimista. É um momento mágico e deve ser preservado deste jeito: romântico e otimista.
(Ham, me senti uma senhora de meia idade nesta referência, mas vamos seguindo...!)
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Lágrimas incontroláveis brotavam quando vi a protocolar homenagem dos formandos aos pais e familiares, e ali mais uma mágica aconteceu. Neste momento vi que aquela Vanessa tinha realmente ficado bem para trás. Antes me emocionava como filha homenageando meus pais, hoje eu estava lá emocionada por motivo contrário. Imaginei o dia que minha filha estará lá recebendo seu diploma (que até o momento ela insiste em seguir os meus passos e já dá os primeiros sinais de real vocação... "who knows?"). Me vi sentada na primeira fila como mãe coruja de formando recebendo a homenagem daqueles jovens com respectivos pais, aos que deram suporte para  o primeiro grande passo da vida adulta. Vi essa cena claramente durante a colação de grau e foi um instante de pura emoção.
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Aproveitando o clima, pela primeira vez mostrei para minha filha o video da minha formatura. Claro que ela não teve tanta paciência de ver a cerimônia, mas ficou encantada de me ver ali vestindo beca e canudo na mão,  já começou a sonhar com a vez dela. Revivi e me vi neste dia num discurso sobre avanços tecnológicos e uma "tal globalização" nas vésperas de um novo milênio e muito antes de se pensar em atentado de 11/09. Parece que foi ontem, mas já se passaram 12 anos e muita coisa aconteceu depois disto: casei, tive uma filha, mudei de rumo profissional, separei, sonhei e acordei, sigo caindo e levantando. Um tanto de romantismo e otimismo ficaram lá naquele 16 de Janeiro de 1999, outro tanto foi modificado no decorrer dos anos, mas a inspiração...? Não quero e não vou deixa-la nunca! A inspiração me tira do porão, me faz mostrar um video para minha filha e ensina-la que tudo isso dá muito trabalho, exige muita dedicação mas vale muito a pena.  Como tudo na vida, a conjunção de inspiração e transpiração.
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Por essa e outras, fico atenta para que na síndrome do coelho branco de Alice (muita pressa, sempre atrasada) eu não deixe apagar a brasa da inspiração existente na minha colação de grau. Que mesmo que a vida coloque armadilhas traiçoeiras no caminho, um pequeno sopro de inspiração acende um pouco da magia da juventude numa colação de grau impulsionando o futuro, independente da idade que terei, pois nos formamos em várias habilidades nos caminhos que percorremos.

p.s: A inspiração "coelho branco" é sabiamente citada no blog da Ali, vale a pena conferir! http://www.alinefontanella.com/2011/08/vida-de-coelho-branco.html

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

35040 horas

Domingo pela manhã recebi um sms no meu celular dizendo "Bom dia. A coluna da Martha Medeiros de hoje foi escrita para ti. Bj." Pois bem... fui atrás por que nunca duvidei do poder de Martha Medeiros captar sentimentos e experiências da minha vida! Há alguns meses estava tentando ler o livro "fora de mim", mas não consegui passar das primeiras 20 páginas. Não que o livro não seja excelente, mas é que os sentimentos e o realismo que ela descreve as cenas e a percepção de uma separação foram tão fiéis para não dizer telepáticas sobre o que senti e pensei que foi forte demais para seguir adiante. Talvez em outro momento retome esta leitura.
___***___
A crônica entitulada '127 horas' faz analogia do filme homônimo com a metáfora da necessidade que cada um de nós tem que, em algum momento da vida, amputar um pedaço de nós para dar continuidade na vida: amores paralisantes ficam impreganados no nosso corpo e na nossa existência até se tornarem um pedaço de nós, e vai esmagando este pedaço até que resolvemos amputar a tal parte quando percebemos que, no final das contas, aquele pedaço não nos pertence mais, precisa ser estirpado.
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Tinha razão... mais uma vez Martha Medeiros ficou sabendo da minha luta e resolveu escrever a minha história. :)
Tenho lutado por uma amputação. Já me questionei muito do porquê ter esperado tanto para iniciar a cirurgia de excisão.
Sempre achei que a circulação iria voltar, o sangue correria nas artéria irrigando tecidos e músculos. Foram 35040 horas (talvez um pouco mais) esperando a revitalização, e sinceramente, por vezes eu tive certeza que a irrigação estava preservada, mesmo com alguns tendões e nervos esmagados... nada que muita fisioterapia e dedicação não resolvesse. Durante vários momentos percebi até que uma alavanca deslocava a pedra que esmagava este pedaço de mim, o que por alguns instantes (e repito... APENAS alguns instantes) enchia de sangue arterial rico e oxigenado, por consequência me enchia de esperança que a amputação não seria necessária.
Mas chegou o dia que nada mais poderia ser feito. A pedra rolou no vai e vem, esmagando de vez as últimas estruturas. A amputação foi a única solução e cedi ao procedimento: melhor perder um pedaço de mim do que intoxicar todo o meu corpo.
Se fui amiga ou inimiga do tempo nesta longa espera? Não sei. Prefiro pensar que foi preferível esperar e ter certeza do irremediável fim do que antecipar uma precipitada amputação por medo, covardia, orgulho. Não tive medo de andar por aí com um membro meio defeituoso e com cicatrizes aparentes, afinal a minha persistência e fé seriam a salvação. Hoje sei que só isso não é suficiente.
Fiz tudo sem anestesia, sem alucinógenos... sem fugas. No momento de recuperação, tenho passado pela "síndrome do membro fantasma": às vezes acordo com a certeza que aquele pedaço ainda está em mim, ou que ainda tenho que cuidar do membro enfermo - quase um ato reflexo, muitas noites sonhadas que a parte estava lá bem saudável em mim, às vezes até acreditei no reimplante. Mas tenho consciência que minha vida seguirá mais leve depois da amputação e me adaptarei sem este pedaço. Aos poucos a síndrome membro fantasma vai se dissipando em memórias até que nem me recorde mais como era minha vida com aquela parte.
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Metáforas à parte...
Não me sinto mais leve, ainda. Fiz o que tinha que ser feito, no momento que julguei mais adequado com os prognósticos que surgiam dia a dia.
Cada um tem seu tempo, e no meu tempo restou a certeza que não fui precipitada e a coragem chegou na hora que tinha que chegar. Tal como quando ouvimos de um médico que "todas as possibilidades foram tentadas". A insatisfação de ver que a pedra não se moveria sozinha, não me pertence mais... isso é libertador e eu estou me salvando.

Fica aqui a minha busca por novos cânions como encerra Martha na sua crônica "Cada um tem um cânion pelo qual se sente atraído. E um cânion do qual é preciso escapar."

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Hora da Poda

Tenho andado meio ausente, silenciosa, pensativa... Poucas vezes tantos sentimentos estiveram tão misturados, precisei me calar, o silêncio que vale ouro. Aos poucos saio do inferno astral. Já se passaram alguns dias do meu aniversário - cânceriana com ascendente em câncer com a lua em leão - muito se explica! Um perfil de obstinação emocional... quase passional. Mas ultimamente tenho dedicado muita obstinação em mim. A auto-obstinação é recomendável a todos sem contra indicações, mas preste atenção por que os véus que te cegavam ou embassavam sua visão começam a cair um a um!
Detalhes saltam aos olhos!
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Logo na primeira semana que me mudei, há mais de 6 anos, ganhei de minha mãe uma "árvore da felicidade". Segundo ela, precisa ser presenteada para dar sorte e consiste na união de uma árvore "macho" e outra "fêmea". Há quem acredite ou não... mas o fato é que em situações bem peculiares da minha vida a vi murchar, secar, quebrar galhos, brotar novos ramos...
Há dias tenho visto que ela andava meio murcha, talvez pelo frio... talvez por que eu tenha colocado pouca água, talvez por ter captado minha energias de inferno astral (yo no creo en las brujas pero que las hay, las hay!). Descuidei dela (e de mim), reguei a árvore e notei alguns galhos prestes a despencar e eu estava lá tentando reerguer e salvar os galhos da árvore. Num segundo de lucidez percebo que estava forçando a barra com a pobrezinha, exatamente como faço com a minha vida: uma persistência danada para manter ou salvar galhos quebrados! Neste instante  busquei a tesoura e libertei os galhos ressecados, dei uma boa regada, adubei e esperei. Hoje percebo que paciência, rega e podas permitiram a chegada de novos brotos, folhas mais verdes, mais fortes.
A minha arvorezinha da felicidade abriu meu olhos para o óbvio: PERSISTÊNCIA, DEDICAÇÃO e PACIÊNCIA.
Persisto em minhas regas periódicas, não posso afogar as raízes pelo excesso de água.
Alguns galhos precisam ser podados para que novos ramos surjam verdes e sadios.
Adubar a terra para fornecer o necessário para continuar evoluindo.
Paciência para que dia a dia se reestabeleça o equilíbrio perfeito - mudanças maduras exigem muita paciência para não colocar a carroça na frente dos bois.
Hoje, ao abrir a porta de casa olhei novamente para a árvore e ela estava revitalizada. Só faltou ela criar vida como em desenhos animados, dar uma piscadela e me dizer "hey, baby... era disto que precisávamos. Eu sou você, amanhã! ;)".


"Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma. Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles."
Rubem Alves